Planejamento Técnico e Econômico em Pecuária de Corte

Por Marcelo Pimenta – Diretor Geral da Exagro
Artigo Anualpec 2011

No último Anualpec falamos sobre a importância que a pecuária brasileira alcançou mundialmente, e como os avanços tecnológicos apresentados pelos nossos pesquisadores e técnicos têm contribuído para isso. Comentamos que a tecnologia brasileira está disponível, mas que a maior parte dos pecuaristas não a adotam de maneira inteligente, por não ter uma visão profissional da sua atividade como empresa. Citamos, então, os seguintes tópicos a serem trabalhados para que uma fazenda tenha uma gestão eficiente e alcance esse objetivo:

  • Estabelecimento de metas e objetivos.
  • Conhecimento do ambiente e dos recursos disponíveis.
  • Planejamento de longo prazo do sistema a ser adotado, estudando e prevendo a viabilidade técnica e econômica de cada variável ao longo dos anos.
  • Dimensionamento, organização e treinamento dos recursos humanos.
  • Controle sistemático de resultados e ocorrências, permitindo uma análise detalhada de cada processo para atingimento das metas traçadas no planejamento.

Naquele artigo, falamos sobre o último ponto da lista, o controle de resultados e ocorrências. Hoje, vamos falar sobre o planejamento de longo prazo.

Se tivermos que escolher um ponto dos cinco citados acima, talvez o planejamento seja o mais importante. Mesmo assim, no banco de dados da Exagro, de cerca de oitenta diagnósticos feitos somente no ano de 2010, este foi o tópico que apresentou a pior nota. Em grande parte das fazendas avaliadas, a importância que se dá ao planejamento é próxima de zero, enquanto os tópicos de rebanho e estrutura foram quase sempre muito bem pontuados.

É muito grave o fato de não se dar importância ao planejamento. É nessa fase que o rumo da atividade é traçado, avaliando-se todas as variáveis do sistema e a viabilidade econômica de cada etapa ou de cada determinação técnica do projeto. O que vemos invariavelmente em fazendas sem planejamento é um mau uso dos recursos, gastando-se tempo e dinheiro em processos às vezes sem retorno econômico, enquanto outros de extrema importância deixam de ser trabalhados.

Para se ter uma idéia da importância e da abrangência do planejamento, listamos abaixo alguns pontos mais relevantes a serem considerados:

  • Previsão da evolução da área efetiva e capacidade produtiva das pastagens, com base nos dados levantados na fase de conhecimento do ambiente e recursos disponíveis.
  • Evolução de rebanho para no mínimo oito anos, com base no rebanho atual e na previsão de evolução do suporte das pastagens.
  • Simulações de diferentes sistemas de produção, variando a composição das categorias de cria, recria e engorda, e os diferentes níveis de intensificação possíveis. Nessas simulações devem ser considerados:

- Localização e mercado de bois gordos e reposição.

- Nível tecnológico a ser adotado, desde o manejo reprodutivo até a suplementação de animais à pasto ou em confinamento.

- Estrutura existente, e a exigência em estrutura de cada sistema.

- Viabilidade econômica de intensificação das pastagens, de acordo com o preço da arroba e de adubos.

  • Criação de um plano de contas para despesas e receitas, prevendo o fluxo de caixa de cada sistema nos diferentes níveis tecnológicos, considerando também os investimentos necessários em cada um deles.
  • Elaboração de uma análise de sensibilidade, avaliando o nível de risco de cada sistema proposto, com base em possíveis variações de mercado.
  • Escolha do sistema mais adequado ao perfil e à “vocação” da fazenda e de seu proprietário, detalhando ainda mais o seu planejamento, criando planos de ação para a sua adoção, as metodologias de treinamento de mão de obra e de levantamento de dados e ocorrências.

Quando fazemos um planejamento com previsões para oito ou dez anos, a única certeza que temos é que com o tempo os números não serão exatamente aqueles. Não temos a pretensão, em um planejamento de longo prazo, de acertar na mosca os resultados que ocorrerão, e não é esse o objetivo. O que o planejamento precisa mostrar é, com os números que temos hoje, qual o melhor caminho para essa fazenda, mais adequado aos objetivos e ao sistema de trabalho do proprietário, e que possam trazer os melhores resultados.

Com um planejamento bem feito, atualizado regularmente, com os dados produtivos e financeiros ocorridos, é possível alterações e mudanças estratégicas como resposta a cada fator externo que se apresente. Essa ferramenta permite, para quem a adota, estar sempre à frente nas tomadas de decisão, e observamos que essas fazendas são invariavelmente as mais lucrativas em momentos favoráveis da pecuária, e as que menos sofrem nos momentos de crise.

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