No último Anualpec falamos sobre a importância que a pecuária brasileira alcançou mundialmente, e como os avanços tecnológicos apresentados pelos nossos pesquisadores e técnicos têm contribuído para isso. Comentamos que a tecnologia brasileira está disponível, mas que a maior parte dos pecuaristas não a adotam de maneira inteligente, por não ter uma visão profissional da sua atividade como empresa. Citamos, então, os seguintes tópicos a serem trabalhados para que uma fazenda tenha uma gestão eficiente e alcance esse objetivo:
Naquele artigo, falamos sobre o último ponto da lista, o controle de resultados e ocorrências. Hoje, vamos falar sobre o planejamento de longo prazo.
Se tivermos que escolher um ponto dos cinco citados acima, talvez o planejamento seja o mais importante. Mesmo assim, no banco de dados da Exagro, de cerca de oitenta diagnósticos feitos somente no ano de 2010, este foi o tópico que apresentou a pior nota. Em grande parte das fazendas avaliadas, a importância que se dá ao planejamento é próxima de zero, enquanto os tópicos de rebanho e estrutura foram quase sempre muito bem pontuados.
É muito grave o fato de não se dar importância ao planejamento. É nessa fase que o rumo da atividade é traçado, avaliando-se todas as variáveis do sistema e a viabilidade econômica de cada etapa ou de cada determinação técnica do projeto. O que vemos invariavelmente em fazendas sem planejamento é um mau uso dos recursos, gastando-se tempo e dinheiro em processos às vezes sem retorno econômico, enquanto outros de extrema importância deixam de ser trabalhados.
Para se ter uma idéia da importância e da abrangência do planejamento, listamos abaixo alguns pontos mais relevantes a serem considerados:
- Localização e mercado de bois gordos e reposição.
- Nível tecnológico a ser adotado, desde o manejo reprodutivo até a suplementação de animais à pasto ou em confinamento.
- Estrutura existente, e a exigência em estrutura de cada sistema.
- Viabilidade econômica de intensificação das pastagens, de acordo com o preço da arroba e de adubos.
Quando fazemos um planejamento com previsões para oito ou dez anos, a única certeza que temos é que com o tempo os números não serão exatamente aqueles. Não temos a pretensão, em um planejamento de longo prazo, de acertar na mosca os resultados que ocorrerão, e não é esse o objetivo. O que o planejamento precisa mostrar é, com os números que temos hoje, qual o melhor caminho para essa fazenda, mais adequado aos objetivos e ao sistema de trabalho do proprietário, e que possam trazer os melhores resultados.
Com um planejamento bem feito, atualizado regularmente, com os dados produtivos e financeiros ocorridos, é possível alterações e mudanças estratégicas como resposta a cada fator externo que se apresente. Essa ferramenta permite, para quem a adota, estar sempre à frente nas tomadas de decisão, e observamos que essas fazendas são invariavelmente as mais lucrativas em momentos favoráveis da pecuária, e as que menos sofrem nos momentos de crise.
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